quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Deixa ele falar.


És presença.
E, mesmo quando és ausência, és muito
mais do que saudade. És vontade de ver de novo, de ver mais, de ver mais de
perto, ver melhor. E tocar, de modo que, cada toque, eu tenha um pouco mais de
ti em mim, para que não haja mais ausência. Te encontrar virou apenas uma
questão de fechar os olhos.
Tenho confundido 'eu' com 'nós'. Mas essa
confusão só me acontece porque eu tenho certeza de tudo que eu sinto. E o que eu sinto é o tal do amor. Aquele surrado, mal-falado, desacreditado e raro amor,
que eu achava que não existia mais. Pois existe. E arrebata, atropela, derruba,
o violento surto de felicidade causado pelo simples vislumbre do teu rosto.
Beeshop.



Fica o vazio, após o tchau. Fica o fantasma, quando o concreto se vai. Ficam as marcas de poeira ao redor dos quadros e os longos fios substituindo o ar. Ficamos eu e você, aqui e aí. Um vazio momentâneo, uma saudade permanente, uma dor que vai e vem, alternada com uma apaixonada e obcecada psicose, que só entende quem sente.
Mas vai passar.
Beeshop.


Sobre a saudade.
Saudade não é o que a gente sente quando a pessoa vai embora. Seria muito simples acenar um 'tchau' e contentar-se com as memórias, com o passado. Saudade não é ausência. É a presença, é tentar viver no presente. É a cama ainda desarrumada, o par de copos ao lado da garrafa de vinho, é a escova de dentes ao lado da sua. Saudades são todas as coisas que estão lá para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou, e de lá não sai. A ausência ocupa espaço, ocupa tempo, ocupa a cabeça, até demais. E faz com que a gente invente coisas, nos leva para tão próximo da total loucura quanto é permitido, para alguém em cujo prontuário se lê "sadio". Ela faz a gente realmente acreditar que enlouquecemos. Ela nos deixa de cama, mesmo quando estamos fazendo todas as coisas do mundo. Todas e ao mesmo tempo. É o transtorno intermitente e perene de implorar por 'um pouco mais'.


Saudade não é olhar pro lado e dizer "se foi". É olhar pro lado e perguntar "cadê?".
Beeshop.


Textos de Beeshop

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. ah, beeshop...
    sempre nos fazendo entender que existem homens como ele! rs.

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